Mai
02
2011
Diferente, mas Não Tão Novo
Alguns encaram o descobrimento, a colonização e a conversão da América
como o “encontro de duas culturas”. Outros os encaram como “exploração”,
ao passo que alguns os condenam veementemente como “estupro”. Seja qual
for a forma que encaramos isso, foi sem dúvida o início duma nova era,
uma era de crescimento econômico e desenvolvimento técnico, apesar de à
custa dos direitos humanos.
Foi o navegador italiano Américo Vespúcio que, em 1505, cunhou o termo
“Novo Mundo” para descrever o novo continente. Sem dúvida, muitos
aspectos eram novos, mas os problemas fundamentais do Velho Mundo também
eram endêmicos no Novo Mundo. As tentativas fúteis de tantos
conquistadores espanhóis de encontrar o lendário Eldorado, lugar de ouro
e de abundância, revelam que as aspirações humanas não foram satisfeitas
com a descoberta dum novo continente. Serão tais aspirações algum dia
satisfeitas?
[Nota(s) de rodapé]
O desejo de evangelizar o Novo Mundo foi até mesmo usado para justificar
a força militar. Francisco de Vitória, destacado teólogo espanhol da
época, argumentou que uma vez que os espanhóis estavam autorizados pelo
papa a pregar o evangelho no Novo Mundo, estavam justificados a guerrear
com os índios para defender e estabelecer esse direito.
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Mai
02
2011
A Colonização Religiosa
A colonização religiosa do Novo Mundo andou de mãos dadas com a
colonização política. Assim que uma região era conquistada, a população
nativa era forçada a tornar-se católica. Como explica o sacerdote e
historiador católico Humberto Bronx: “De início, batizavam sem nenhuma
instrução oral, praticamente à força. . . . Templos pagãos eram
convertidos em igrejas cristãs ou em mosteiros; ídolos eram substituídos
por cruzes.” Não é de admirar que tal “conversão” arbitrária resultasse
numa peculiar combinação da adoração católica com a adoração
tradicional, que continua existindo até hoje.
Após a conquista e as “conversões”, a obediência à Igreja e a seus
representantes foi estritamente imposta, especialmente no México e no
Peru, onde a Inquisição foi estabelecida. Alguns clérigos sinceros
protestaram contra os métodos não-cristãos. O frade dominicano Pedro de
Córdoba, testemunha ocular da colonização da ilha de Hispaníola,
lamentou: “Com gente tão boa, obediente e gentil, se tão-somente os
pregadores se introduzissem sem a força e a violência desses deploráveis
cristãos, creio que se poderia fundar uma igreja tão boa como a primitiva.”
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Mai
02
2011
Racismo e Repressão
As novas culturas comerciais, tais como o algodão, o açúcar e o tabaco,
podiam tornar ricos os colonos, contanto que tivessem suficiente
mão-de-obra barata para trabalhar em suas terras. E a fonte óbvia de
força de trabalho era a população nativa.
Os colonos europeus, em geral, encaravam os nativos como nada mais que
animais dotados da fala, um preconceito que foi usado para justificar a
sua virtual escravização. Embora a bula papal de 1537 concluísse que os
“índios” eram deveras “homens verdadeiros dotados de alma”, isto pouco
adiantou para deter a exploração. Conforme salientou um recente
documento do Vaticano, “a discriminação racial começou com a descoberta
da América”.
O tratamento severo, junto com a propagação de “doenças européias”,
dizimou a população das Américas. Chegou a diminuir em 90 por cento,
segundo certos cálculos, no espaço de cem anos. No Caribe, os nativos
foram quase exterminados. Quando o povo local não mais podia ser
recrutado, os proprietários de terras procuraram outra fonte de
trabalhadores agrícolas fortes e saudáveis. Os portugueses, que estavam
bem estabelecidos na África, ofereceram uma solução sinistra: o comércio
de escravos.
Mais uma vez, o preconceito racial e a ganância infligiram terrível
tributo de sofrimento. Até o fim do século 19, comboios de navios
negreiros (principalmente britânicos, franceses, holandeses e
portugueses) já haviam transportado provavelmente mais de 15 milhões de
escravos africanos para as Américas!
Com suas implicações raciais, não é de surpreender que os nativos do
continente americano sintam-se profundamente ressentidos com a
descoberta da América pelos europeus. Certo índio norte-americano
declarou: “Colombo não descobriu os índios. Nós o descobrimos.” De modo
similar, os índios mapuche, do Chile, protestam que ‘não houve um
descobrimento real ou uma evangelização autêntica, mas, antes, uma
invasão de seu território ancestral’. Como dá a entender este
comentário, a religião não estava isenta de culpa.
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Mai
02
2011
Novas Colheitas e Novos Tipos de Alimentos
O chocolate suíço, as batatas irlandesas e a pizza italiana têm todos
uma dívida para com os lavradores incas e astecas. O chocolate, as
batatas e os tomates foram apenas três dos novos produtos que chegaram à
Europa. Em muitos casos, as novidades de temperos, frutas e hortaliças
levaram tempo para se tornarem populares, embora desde o início Colombo
e seus homens se entusiasmassem com o abacaxi e a batata-doce. — Veja o
quadro da página 9.
Certas culturas do Oriente, tais como o algodão e a cana-de-açúcar,
tornaram-se populares no Novo Mundo, ao passo que a batata sul-americana
tornou-se, por fim, importante fonte de nutrição para muitas famílias
européias. Este intercâmbio de produtos agrícolas não proporcionou
apenas maior variedade à cozinha internacional; resultou numa melhora
fundamental da nutrição, o que contribuiu para o enorme crescimento da
população mundial nos séculos 19 e 20. Mas houve um lado negro na
revolução agrícola.
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Mai
02
2011
Os Ventos do Comércio
Colombo estava certo. O ouro estava bem ali, embora ele pessoalmente
encontrasse muito pouco. Não demorou até que galeões passassem a
transportar para a Espanha enormes quantidades de ouro e prata saqueadas
da América. A riqueza, porém, era transitória. O influxo de vastas
quantidades de metais preciosos resultou em desastrosa inflação, e o
excesso de dinheiro facilmente obtido sabotou a indústria espanhola. Por
outro lado, o ouro procedente das Américas promoveu o crescimento da
economia internacional. Havia dinheiro disponível para se comprar
mercadorias estrangeiras, que os navios levavam e traziam ao viajar
pelos quatro cantos do mundo.
No fim do século 17, podia-se encontrar prata peruana em Manila, seda
chinesa na Cidade do México, ouro africano em Lisboa e peles americanas
em Londres. Assim que os artigos de luxo abriram caminho, outros
produtos de consumo tais como açúcar, chá, café e algodão passaram a
cruzar os oceanos Atlântico e Índico em quantidades cada vez maiores. E
os hábitos alimentares começaram a mudar.
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Mai
02
2011
Conflito de culturas
UNS quinhentos anos atrás, numa pequena cidade no coração de Castela,
diplomatas espanhóis contendiam com seus oponentes portugueses. No dia 7
de junho de 1494, chegaram a um acordo e foi assinado um tratado formal
— o Tratado de Tordesilhas. Atualmente, centenas de milhões de pessoas
no hemisfério ocidental falam ou espanhol ou português em resultado
desse acordo.
O tratado reafirmava as bulas papais do ano anterior, dividindo o mundo
não explorado entre as duas nações ibéricas. Traçou-se uma linha
longitudinal “370 léguas ao oeste das ilhas de Cabo Verde”. A Espanha
podia colonizar e evangelizar as terras descobertas a oeste dessa linha
(América do Norte e do Sul, com exceção do Brasil), e Portugal, toda
terra ao leste (Brasil, África e Ásia).
Munidos da bênção papal, Espanha e Portugal — com outras nações
européias no seu rastro — empreenderam dominar os mares e depois o
mundo. Cinqüenta anos após a assinatura do tratado, rotas de travessia
dos oceanos haviam sido traçadas, os principais continentes haviam sido
interligados e vastos impérios coloniais haviam começado a emergir. —
Veja o quadro da página 8.
As repercussões desta explosão de descobrimentos foram amplas. Sistemas
comerciais e agrícolas foram revolucionados, e as divisões raciais e
religiosas do mundo também foram transformadas. No entanto, foi o ouro
que desencadeou esses eventos.
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Mai
02
2011
Paraíso Perdido
A corte espanhola ficou eufórica quando finalmente chegaram as notícias
do descobrimento de Colombo. Ele foi coberto de honras e exortado a
organizar uma segunda expedição, o mais breve possível. Nesse ínterim,
os diplomatas espanhóis tomaram rapidamente medidas para assegurar-se
junto ao papa espanhol, Alexandre VI, do direito de colonizar todas as
terras descobertas por Colombo.
A segunda expedição, em 1493, foi ambiciosa. Uma armada de 17 navios
transportava 1.200 colonos, inclusive sacerdotes, agricultores e
soldados — porém nenhuma mulher. A intenção era colonizar as novas
terras, converter os nativos ao catolicismo, e, naturalmente, qualquer
ouro ou quaisquer especiarias que fossem descobertos seriam muito
bem-vindos. Colombo também tencionava prosseguir sua busca duma passagem
marítima para a Índia.
Embora fossem descobertas mais ilhas, inclusive Porto Rico e Jamaica, a
frustração aumentou. La Navidad, a colônia original na Hispaníola, fora
dizimada devido a amargos conflitos entre os próprios espanhóis, e
depois foi quase destruída pelos ilhéus, enfurecidos diante da ganância
e da imoralidade dos colonizadores. Colombo escolheu um local melhor
para uma grande e nova colônia, e depois prosseguiu sua busca da rota
para a Índia.
Não conseguindo circunavegar Cuba, concluiu que devia ser o continente
asiático — talvez a Malaia. Conforme declarado no livro The Conquest of
Paradise (A Conquista do Paraíso), Colombo “decidiu que toda a
tripulação deveria declarar sob juramento que a costa junto à qual
vinham navegando . . . não era de modo algum a duma ilha, mas, de fato,
‘o continente do início das Índias’”. Ao retornar à Hispaníola, Colombo
descobriu que os novos colonos não se haviam comportado melhor do que os
anteriores, tendo estuprado mulheres e escravizado meninos. O próprio
Colombo aumentou a animosidade por reunir 1.500 nativos e embarcar 500
deles para a Espanha como escravos; todos morreram em poucos anos.
Duas outras viagens para as Índias Ocidentais não melhoraram a sorte de
Colombo. O ouro, as especiarias e a passagem para a Índia, tudo isso o
frustrou. Entretanto, de um modo ou de outro, a Igreja Católica
conseguiu seus conversos. As habilidades administrativas de Colombo
estavam bem aquém de seus dons de navegador, e a saúde precária tornou-o
autocrático e até mesmo cruel para com os que o desagradavam. Os
soberanos espanhóis viram-se obrigados a substituí-lo por um governador
mais habilitado. Ele conquistou os oceanos, mas fracassou em terra firme.
Pouco depois de completar sua quarta viagem, ele morreu aos 54 anos,
rico, porém amargurado, ainda insistindo em que descobrira a rota
marítima para a Ásia. Caberia à posteridade conferir-lhe a duradoura
glória que ele tanto desejara durante toda a vida.
Mas as rotas que ele traçou abriram o caminho para a descoberta e a
colonização do inteiro continente norte-americano. O mundo mudara
dramaticamente. Será que foi para melhor?
[Nota(s) de rodapé]
Este engano resultou de dois graves erros de cálculo. Ele cria que o
continente asiático se estendesse bem mais ao leste do que na realidade
se estendia. Também, inadvertidamente reduziu a circunferência da Terra
em 25 por cento.
Calcula-se que o Santa María tinha uma tripulação de 40 homens, o Pinta
de 26, e o Niña de 24.
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Mai
02
2011
Descoberta e Desapontamento
As Baamas eram paradisíacas. Os nativos nus, escreveu Colombo, eram
“pessoas de boa estatura, de corpos elegantes e de traços finos”. Mas,
depois de saborearem por duas semanas os frutos tropicais e trocarem
mercadorias com os amistosos habitantes, Colombo seguiu viagem. Estava à
procura do ouro, do continente asiático, dos conversos e das especiarias.
Alguns dias depois, Colombo chegou a Cuba. “Nunca vi nada tão belo”,
comentou ele ao desembarcar na ilha. Antes, ele registrara em seu diário
de bordo: “Agora tenho certeza de que Cuba é o nome índio de Cipango
[Japão].” Assim, enviou dois representantes para contatar o Cã (o
governante). Os dois espanhóis não encontraram nem ouro, nem japoneses,
embora trouxessem de volta relatórios sobre um estranho hábito dos
nativos: fumar tabaco. Colombo não se deixou intimidar. “Sem dúvida, há
muitíssimo ouro neste país”, reafirmava a si mesmo.
A odisséia prosseguiu, agora rumo ao leste. Descobriu uma grande ilha
montanhosa perto de Cuba, à qual deu o nome de La Isla Española
(Hispaníola). E, por fim, os espanhóis encontraram boa quantidade de
ouro. Mas, dias depois, sobreveio-lhes um desastre. A nau capitânia
Santa María encalhou num banco de areia e não conseguiu voltar a
flutuar. Os nativos ajudaram voluntariamente a tripulação a salvar tudo
o que fosse possível. “Eles amam o próximo como a si mesmos, e têm a voz
mais suave e gentil do mundo, e estão sempre sorrindo”, disse Colombo.
Colombo decidiu estabelecer uma pequena colônia na Hispaníola. Antes,
ele comentara pouco auspiciosamente em seu diário de bordo: “Esta gente
é muito inábil nas armas. . . . Com 50 homens poderiam ser todos
subjugados e fazer tudo que se quisesse.” Visionou também uma
colonização religiosa: “Tenho grande esperança em Nosso Senhor de que
Vossas Majestades converterão todos eles ao cristianismo e todos eles
pertencerão a vós.” Uma vez organizada a colônia num lugar que chamou La
Villa de la Navidad, Colombo resolveu que ele e o restante de seus
homens deviam retornar rapidamente à Espanha com as notícias de sua
grande descoberta.
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Mai
02
2011
Viagem ao Desconhecido
Uma pequena frota de três navios foi rapidamente equipada, e, com uma
tripulação de uns 90 homens, Colombo partiu da Espanha em 3 de agosto de
1492. Depois de se reabastecerem nas ilhas Canárias, no dia 6 de
setembro, os navios rumaram para o oeste, a caminho da “Índia”.
Foi uma viagem provadora para Colombo. Ventos favoráveis e desfavoráveis
faziam as esperanças crescer e desvanecer-se sucessivamente. Apesar de
avistarem aves marítimas, o que parecia promissor, o horizonte ocidental
permanecia obstinadamente vazio. Colombo tinha de fortalecer
constantemente a determinação de seus marinheiros com promessas de terra
e riquezas. Quando estavam, segundo “cálculos pessoais” de Colombo, a
uns 3.200 quilômetros Atlântico adentro, ele disse ao piloto que a
distância era de 2.819 quilômetros. Daí, escreveu no diário de bordo:
“Não revelei este dado [3.413 quilômetros] aos homens porque eles
ficariam amedrontados de se encontrarem tão longe de casa.” (The Log of
Christopher Columbus, traduzido para o inglês por Robert H. Fuson.)
Muitas vezes, somente sua incansável determinação é que impediu os
navios de retornarem.
À medida que os dias se arrastavam, os marujos ficavam cada vez mais
impacientes. “Minha decisão não agradou aos homens, pois continuam a
murmurar e a se queixar”, escreveu Colombo. “Apesar dos resmungos,
mantive o rumo oeste.” No dia 10 de outubro, após mais de um mês no mar,
as queixas aumentavam em todos os três navios. Os marujos só sossegaram
quando Colombo prometeu retornar pelo mesmo caminho se dentro de três
dias não atingissem terra alguma. Entretanto, no dia seguinte, quando
ergueram do mar um galho verde ainda com flores, a fé dos marujos no seu
almirante reacendeu. E no amanhecer do outro dia (12 de outubro), os
marujos, cansados do mar, refestelaram seus olhos com uma luxuriante
ilha tropical. Sua momentosa viagem atingira o objetivo!
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Mai
02
2011
O Sonho Se Concretiza
No fim do século 15, havia grande demanda de duas mercadorias na Europa:
ouro e especiarias. O ouro era necessário para a compra de artigos de
luxo do Oriente, e as especiarias do Leste davam sabor às refeições
insípidas nos longos meses de inverno. Os comerciantes europeus queriam
ter acesso direto às terras onde tais mercadorias podiam ser adquiridas.
Os mercadores e navegadores portugueses se atarefavam em estabelecer o
monopólio comercial com a África, e, por fim, descobriram uma rota para
o Oriente via África, contornando o Cabo da Boa Esperança. Nesse
ínterim, as idéias do navegador italiano, Colombo, voltavam-se para o
Oeste. Ele cria que a rota mais curta para a Índia, e suas cobiçadas
especiarias, era cruzar o Atlântico.
Durante exaustivos oito anos, Colombo foi de uma corte real para outra
antes de, finalmente, obter o apoio do rei e da rainha da Espanha. Por
fim, sua inabalável convicção venceu os hesitantes soberanos e os
relutantes marujos. Os que duvidavam tinham seus motivos. O plano de
Colombo tinha falhas, e ele insistia audaciosamente em ser nomeado
“Grande Almirante do Oceano” e governador perpétuo de todas as terras
que descobrisse.
Mas as principais objeções se concentravam em seus cálculos. Nessa
época, a maioria dos peritos não duvidava de que a Terra fosse redonda.
A questão era: que distância oceânica separava a Europa da Ásia? Colombo
supunha que Cipango, ou o Japão — sobre o qual lera no relato da viagem
de Marco Pólo à China — ficasse a uns 8.000 quilômetros a oeste de
Lisboa, Portugal. Assim, situou o Japão no atual Caribe.
Devido em grande parte aos cálculos demasiadamente otimistas de Colombo
a respeito da distância que separava a Europa do Extremo Oriente, as
comissões reais tanto da Espanha como de Portugal consideraram
desaconselhável a sua aventura. Pelo visto, não ocorreu a ninguém a
possibilidade de que existisse um grande continente entre a Europa e a Ásia.
Mas, Colombo, apoiado por amigos na corte espanhola, persistiu, e as
coisas saíram a seu favor. A Rainha Isabel de Castela, católica
fervorosa, sentiu-se atraída pela possibilidade de converter o Oriente à
fé católica. Quando Granada foi conquistada pelos soberanos católicos,
na primavera de 1492, o catolicismo tornou-se a religião de toda a
Espanha. A ocasião parecia propícia para se arriscar algum investimento
numa aventura que poderia render grandes dividendos, em termos
religiosos e econômicos. Colombo obteve o consentimento real e o
dinheiro que necessitava.
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