Paraíso Perdido
Paraíso Perdido
A corte espanhola ficou eufórica quando finalmente chegaram as notícias
do descobrimento de Colombo. Ele foi coberto de honras e exortado a
organizar uma segunda expedição, o mais breve possível. Nesse ínterim,
os diplomatas espanhóis tomaram rapidamente medidas para assegurar-se
junto ao papa espanhol, Alexandre VI, do direito de colonizar todas as
terras descobertas por Colombo.
A segunda expedição, em 1493, foi ambiciosa. Uma armada de 17 navios
transportava 1.200 colonos, inclusive sacerdotes, agricultores e
soldados — porém nenhuma mulher. A intenção era colonizar as novas
terras, converter os nativos ao catolicismo, e, naturalmente, qualquer
ouro ou quaisquer especiarias que fossem descobertos seriam muito
bem-vindos. Colombo também tencionava prosseguir sua busca duma passagem
marítima para a Índia.
Embora fossem descobertas mais ilhas, inclusive Porto Rico e Jamaica, a
frustração aumentou. La Navidad, a colônia original na Hispaníola, fora
dizimada devido a amargos conflitos entre os próprios espanhóis, e
depois foi quase destruída pelos ilhéus, enfurecidos diante da ganância
e da imoralidade dos colonizadores. Colombo escolheu um local melhor
para uma grande e nova colônia, e depois prosseguiu sua busca da rota
para a Índia.
Não conseguindo circunavegar Cuba, concluiu que devia ser o continente
asiático — talvez a Malaia. Conforme declarado no livro The Conquest of
Paradise (A Conquista do Paraíso), Colombo “decidiu que toda a
tripulação deveria declarar sob juramento que a costa junto à qual
vinham navegando . . . não era de modo algum a duma ilha, mas, de fato,
‘o continente do início das Índias’”. Ao retornar à Hispaníola, Colombo
descobriu que os novos colonos não se haviam comportado melhor do que os
anteriores, tendo estuprado mulheres e escravizado meninos. O próprio
Colombo aumentou a animosidade por reunir 1.500 nativos e embarcar 500
deles para a Espanha como escravos; todos morreram em poucos anos.
Duas outras viagens para as Índias Ocidentais não melhoraram a sorte de
Colombo. O ouro, as especiarias e a passagem para a Índia, tudo isso o
frustrou. Entretanto, de um modo ou de outro, a Igreja Católica
conseguiu seus conversos. As habilidades administrativas de Colombo
estavam bem aquém de seus dons de navegador, e a saúde precária tornou-o
autocrático e até mesmo cruel para com os que o desagradavam. Os
soberanos espanhóis viram-se obrigados a substituí-lo por um governador
mais habilitado. Ele conquistou os oceanos, mas fracassou em terra firme.
Pouco depois de completar sua quarta viagem, ele morreu aos 54 anos,
rico, porém amargurado, ainda insistindo em que descobrira a rota
marítima para a Ásia. Caberia à posteridade conferir-lhe a duradoura
glória que ele tanto desejara durante toda a vida.
Mas as rotas que ele traçou abriram o caminho para a descoberta e a
colonização do inteiro continente norte-americano. O mundo mudara
dramaticamente. Será que foi para melhor?
[Nota(s) de rodapé]
Este engano resultou de dois graves erros de cálculo. Ele cria que o
continente asiático se estendesse bem mais ao leste do que na realidade
se estendia. Também, inadvertidamente reduziu a circunferência da Terra
em 25 por cento.
Calcula-se que o Santa María tinha uma tripulação de 40 homens, o Pinta
de 26, e o Niña de 24.
Mai022011
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