Mai 02 2011
O Desaparecimento do Período Clássico
O Desaparecimento do Período Clássico
O que pôs fim ao período clássico? Há muitas teorias, mas ninguém
realmente sabe. O que se sabe é que o erguimento de estelas datadas, de
palácios e de prédios públicos subitamente cessou. A última estela
encontrada em Tical data de 869 EC. A população abandonou os grandes
centros-cidades maias e passou a viver em pequenos povoados agrícolas
espalhados. A selva, anteriormente contida, agora avançou. Nasceram
arvorezinhas, que se arraigaram nas brechas dos prédios hospedeiros, e
elas se tornaram grandes árvores. Suas raízes, tendo agora até metros de
circunferência, racharam os cantos, romperam os blocos de calcário,
debilitaram as paredes, e esmigalharam os arcos de modilhão. Tical e
suas cidades-irmãs, abandonadas e esquecidas, foram ocultadas do mundo
exterior, permanecendo em estado letárgico, sufocadas pelo abraço da selva.
Não trariam alguma luz sobre isso os registros escritos dos maias?
Poderiam trazer, não fossem seus conquistadores espanhóis do século 16.
“Diego de Landa, o primeiro bispo de Iucatã, em seu rompante inicial de
zelo católico, intensificou o mistério por tentar erradicar todos os
vestígios da cultura maia”, comentou a revista Smithsonian. “Ele queimou
grandes quantidades de códices, os livros nativos de papel de casca de
árvore (sabe-se que apenas quatro dos códices maias sobreviveram até os
dias atuais), que poderiam ter esclarecido os assuntos e evitado que
houvesse muita confusão posterior”.
Assim sendo, o mosaico de ruínas parcialmente restauradas do mundo dos
maias, na América Central, ainda constitui um enigma arqueológico de
nosso mundo. Silenciosamente, tais ruínas continuam postadas quais
sentinelas solitárias duma outra era.